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C+C Music Factory!

A história de uma das maiores fábricas de hits dos anos 90

por Fabrício Lopes - 15/05/2024



Poucos projetos representam tão bem a explosão da dance music no começo dos anos 90 quanto o C+C Music Factory. Criado pelos produtores Robert Clivillés e David Cole, o grupo misturou house, hip hop, pop e vocais poderosos em uma sequência de músicas que atravessou as pistas e chegou ao topo das paradas.

E se você viveu aquela época, provavelmente nem precisa ouvir a música inteira. Basta alguém gritar “Everybody Dance Now!” para a memória fazer o resto.

A história começa ainda nos anos 80, quando Robert Clivillés e David Cole se conheceram no clube Better Days, em Nova York. Clivillés trabalhava como DJ, enquanto Cole era tecladista.

A sintonia musical rapidamente virou parceria. Em 1987, os dois se juntaram a David Morales e Chep Nuñez no curioso projeto 2 Puerto Ricans, a Blackman and a Dominican, que lançou algumas produções voltadas para a cena house nova-iorquina.

O grupo teve vida curta, mas Clivillés e Cole continuaram trabalhando juntos. Sob o nome 28th Street Crew, chegaram às paradas de dance da Billboard com o álbum I Need a Rhythm.

A dupla também começou a ganhar espaço nos bastidores. Entre seus trabalhos estava a produção do primeiro álbum do grupo feminino Seduction, que conquistou disco de ouro nos Estados Unidos.

Era apenas uma preparação para o que viria em seguida.

Em 1989, Clivillés e Cole criaram o C+C Music Factory — e o nome não surgiu por acaso: o “C+C” vinha justamente de Clivillés + Cole.

O projeto reunia diferentes cantores, rappers e músicos em torno das produções da dupla. Entre os rostos mais conhecidos estavam o rapper Freedom Williams e a cantora e dançarina Zelma Davis.

No final de 1990 chegou o álbum de estreia, Gonna Make You Sweat.

E aí veio a explosão.

“Gonna Make You Sweat (Everybody Dance Now)” transformou o C+C Music Factory em fenômeno mundial.

A combinação do rap de Freedom Williams com o poderoso refrão cantado por Martha Wash era praticamente irresistível para as pistas. A faixa chegou ao primeiro lugar da Billboard Hot 100 e se tornou um dos maiores clássicos da dance music dos anos 90.

O curioso é que Martha Wash originalmente não recebeu o devido destaque visual pelo trabalho. No videoclipe, quem aparecia interpretando seu vocal era Zelma Davis.

A situação acabaria se transformando em uma das grandes discussões da época sobre créditos e imagem na indústria musical.

Mas musicalmente o C+C estava apenas começando.

O primeiro álbum ainda revelou “Here We Go (Let's Rock & Roll)” e “Things That Make You Go Hmmm...”, colocando o projeto novamente entre os maiores sucessos dos Estados Unidos.

Depois veio “Just a Touch of Love”, outro destaque das pistas que também ganhou enorme exposição ao aparecer na trilha sonora de Mudança de Hábito.

Em 1992, “Keep It Comin' (Dance Till You Can't Dance No More)” manteve a máquina funcionando e voltou a colocar o C+C Music Factory no topo da parada dance da Billboard.

Não era apenas um grupo com um grande hit. Clivillés e Cole haviam encontrado uma fórmula capaz de conversar ao mesmo tempo com clubes, rádios e o público pop.

Com o sucesso, Freedom Williams acabou se tornando uma das figuras mais associadas ao C+C Music Factory. Mas, em 1994, o rapper já havia deixado o projeto para investir na carreira solo.

Clivillés e Cole seguiram em frente.

Naquele ano chegou o segundo álbum, Anything Goes!. Comercialmente, ele não repetiu o impacto gigantesco da estreia, mas ainda produziu um grande momento nas pistas: “Do You Wanna Get Funky”.

O C+C Music Factory continuava relevante dentro da dance music, mas uma tragédia mudaria completamente sua história.

Em janeiro de 1995, David Cole morreu aos 32 anos, vítima de complicações relacionadas a uma meningite espinhal.

A perda atingiu diretamente o coração criativo do projeto.

Ainda naquele ano foi lançado o álbum C+C Music Factory, mas o grupo acabaria interrompendo suas atividades pouco depois.

Era difícil imaginar o C+C da mesma maneira sem uma das duas pessoas que haviam criado sua identidade.

A trajetória do C+C Music Factory não foi feita apenas de hits.

O caso mais conhecido envolve Martha Wash e “Gonna Make You Sweat”. A cantora entrou na Justiça após sua voz ser utilizada sem que ela recebesse inicialmente o destaque correspondente à sua participação.

O caso terminou em acordo e se tornou parte de uma discussão maior sobre a necessidade de identificar corretamente os verdadeiros intérpretes das gravações.

Outra disputa aconteceu envolvendo “Get Dumb! (Free Your Body)”, por causa do uso de material associado ao produtor e músico Boyd Jarvis, que também levou a questão aos tribunais.

Curiosamente, décadas depois, o próprio nome C+C Music Factory acabaria se tornando motivo para outra grande disputa.

Nos anos 2000, Freedom Williams conseguiu registrar nos Estados Unidos uma marca relacionada ao nome C+C Music Factory e passou a realizar apresentações utilizando a identidade do projeto.

Robert Clivillés, porém, contesta o direito de Williams sobre a marca e argumenta que o C+C sempre foi uma criação sua com David Cole, enquanto Freedom participava como rapper e artista convidado.

Essa discussão atravessou os anos e chegou novamente aos tribunais em 2026, quando Clivillés entrou com uma ação milionária para tentar recuperar o controle sobre o nome.

Uma situação curiosa para um projeto cujo próprio nome nasceu das iniciais de seus dois produtores: Clivillés e Cole.

Independentemente das disputas envolvendo sua história, poucos podem questionar a importância musical do C+C Music Factory.

O projeto acumulou sete números 1 nas paradas dance da Billboard e ajudou a definir aquele momento em que house, hip hop e pop começaram a ocupar juntos as rádios e as pistas do mundo inteiro.

Mais de três décadas depois, suas músicas continuam aparecendo em festas, sets de DJs, rádios e incontáveis remixes e mashups.

E existe uma explicação simples para essa longevidade.

Alguns hits envelhecem junto com a época em que foram lançados. Outros acabam virando parte da própria cultura da pista.

“Gonna Make You Sweat (Everybody Dance Now)” pertence ao segundo grupo.

Porque, mais de 35 anos depois, ainda são necessárias apenas três palavras para colocar uma pista inteira em alerta:

Everybody Dance Now!


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