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Sven Väth analisa a cena em 2025

O techno perdeu a alma

por Fabrício Lopes - 30/12/2025



Antes de falar de 2025, é preciso entender quem é Sven Väth. O alemão é simplesmente um dos pilares da música techno mundial. Desde o fim dos anos 80, ele ajudou a moldar a cultura eletrônica europeia, foi peça-chave na consolidação do techno de Frankfurt e construiu uma carreira baseada em identidade, profundidade e respeito à pista.

Criador do selo Cocoon Recordings, responsável por lançar e impulsionar nomes fundamentais da cena, Sven sempre foi mais do que DJ: é curador, formador de público e guardião de uma cultura que nasceu underground, longe do estrelismo e das fórmulas fáceis. Por isso, quando ele fala, a cena escuta.

Em sua análise sobre a música eletrônica em 2025, Sven Väth resolveu soltar o verbo — e não poupou críticas.

O “pseudo techno” e o excesso de comercialização

Segundo Väth, o techno atual vive uma fase preocupante. Um som que nasceu como liberdade e ruptura virou, em muitos casos, produto comercial. Ele critica o que chama de “pseudo techno”: faixas que misturam tech house com samples famosos de rock, referências latinas ou até reggaeton, tudo pensado apenas para causar impacto rápido na pista.

Para ele, não existe conexão cultural nesses elementos. São truques calculados, usados como botão de explosão emocional. O resultado é um som previsível, raso e barulhento, mais próximo de um espetáculo do que de uma experiência musical real.

B2B demais, essência de menos

Outro ponto forte da crítica é o uso exagerado dos sets back-to-back (B2B). O que antes era um encontro especial entre artistas virou estratégia de marketing. Mais nomes no flyer, mais fotos, mais engajamento — e menos identidade.

Väth aponta que muitos DJs acabam abrindo mão da própria assinatura sonora. Ninguém assume o controle do set, ninguém constrói uma narrativa. A música vira coadjuvante.

Cabine virou palco

Sven também chama atenção para a mudança de comportamento dentro da cabine. Segundo ele, muitos DJs performam mais do que tocam. Com recursos como sync, sobra tempo para olhar câmera, levantar braço e buscar aplauso.

A cabine, que sempre foi um espaço de concentração, escuta e entrega musical, virou cenário de selfie. Para Väth, isso quebra a conexão real entre DJ, música e pista.

O lado positivo: menos celular, mais vinil

Apesar do tom crítico, Sven Väth enxerga sinais de resistência. Ele celebra clubes que estão proibindo o uso de celulares, devolvendo ao público a experiência de viver o momento, sem telas no meio do caminho.

Outro ponto que ele valoriza é o retorno do vinil. Väth faz questão de agradecer produtores, selos e DJs que mantêm essa cultura viva. Para ele, ver jovens DJs voltando aos discos significa foco, respeito e compromisso com a música.

Um manifesto pela essência

Mais do que uma crítica, o texto de Sven Väth funciona como um manifesto. Um chamado para que a música eletrônica volte a ser sobre escuta, identidade e verdade — e não apenas sobre likes, vídeos e explosões previsíveis.

Quando ele fala que a música é seu lar e sua responsabilidade, não é discurso vazio. É alguém que ajudou a construir a cena lembrando que sem essência, o techno vira só mais um produto descartável.

 Créditos e fonte original:

Análise baseada no manifesto e na entrevista concedida por Sven Väth à MDM Magazine, publicada originalmente em espanhol.

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