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O homem por trás da máscara: Gesaffelstein transforma o techno em protagonista no Grammy 2026
Visual inspirado no Daft Punk e um remix que colocou a música eletrônica no centro do pop global
por Fabrício Lopes - 03/02/2026

O homem por trás da máscara: Gesaffelstein transforma o techno em protagonista no Grammy 2026
por Fabrício Lopes - 03/02/2026

Se você assistiu ao Grammy Awards 2026 e pensou “ok, mais um DJ mascarado apareceu ali do nada”, calma. Não é só mais um. Aquele sujeito todo de preto, cara fechada, máscara metálica e zero vontade de sorrir atende pelo nome de Gesaffelstein — e se até ontem você não sabia quem ele era, tá tudo bem. Muita gente descobriu agora. E isso faz parte do plano.
Gesaffelstein é francês, produtor, e atende na vida civil como Mike Lévy. Ele não canta, não dança, não conversa muito e definitivamente não tenta ser simpático. O lance dele é outro. Ele faz música eletrônica pesada, escura, meio industrial, daquele tipo que não pede licença e não tenta agradar todo mundo. E justamente por isso chamou tanta atenção ao ganhar o Grammy com o remix de Abracadabra, da Lady Gaga.
O choque é esse: um produtor vindo do techno, do underground europeu, vencendo uma categoria importante da maior premiação do pop mundial. Não porque mudou seu som, mas porque o pop foi até ele. Lady Gaga entendeu o jogo. Em vez de suavizar, ela mergulhou no universo dele. O resultado é uma faixa dançante, sim, mas com peso, tensão e uma estética bem mais sombria do que o padrão radiofônico.

E aí entra a máscara, que virou assunto quase tão grande quanto o prêmio. O visual não é aleatório nem exagero artístico. A máscara foi criada pelo mesmo estúdio responsável pelos capacetes do Daft Punk, e a referência é clara. Assim como o Daft Punk fez história escondendo o rosto e deixando o conceito falar mais alto, Gesaffelstein usa o anonimato como linguagem. Ele não quer que você saiba quem ele é fora do palco. Ele quer que você sinta o que a música provoca.
Na música eletrônica, isso sempre funcionou muito bem. DJs mascarados, personagens, símbolos e identidades visuais fortes não são frescura, são estratégia. Num mundo onde todo artista precisa aparecer, postar, falar e explicar tudo, quem escolhe o silêncio vira destaque. A máscara cria mistério, cria força e ajuda a fixar a imagem. Você pode até não lembrar o nome completo, mas lembra do “cara de preto com a máscara”.
No Grammy, isso ficou ainda mais evidente. Ao subir ao palco, Gesaffelstein não fez discurso, não agradeceu meio mundo, não tentou ser carismático. Fez um gesto curto, uma reverência e saiu. Frio? Talvez. Coerente? Totalmente. É o mesmo controle que existe na música dele: direta, densa, sem sobras.
A parceria com Lady Gaga só amplificou tudo isso. Gaga sempre entendeu que pop também é conceito, choque visual e narrativa. Ao se juntar a Gesaffelstein, ela levou o eletrônico para um lugar mais escuro e adulto, enquanto ele ganhou um palco global sem precisar abrir mão da própria identidade. Um encontro raro onde ninguém se dilui.
No fim das contas, o Grammy 2026 apresentou Gesaffelstein para muita gente que nunca tinha ouvido falar dele. E talvez essa seja a melhor parte da história. Em vez de um artista explicando quem é, foi o som, a imagem e o silêncio que fizeram o trabalho. Às vezes, aparecer de máscara é a forma mais eficiente de ser visto.


