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O som que a gravadora disse que não era hit

Rejeitada no início, Meet Her at the Love Parade virou um dos maiores clássicos da dance music

por Fabrício Lopes - 03/02/2026



 

Meet Her at the Love Parade é o tipo de música que ninguém planejou para virar hit, mas acabou se transformando em um dos maiores hinos da história da música eletrônica. Um clássico dos anos 90 criado quase sem querer pelo DJ e produtor alemão Da Hool, e que até hoje continua tocando em pistas, festivais, festas e eventos no mundo inteiro.

Em uma entrevista para a revista DJ Mag, Da Hool conta que tudo começou depois de um domingo especial, logo após voltar da Love Parade, em Berlim. Ele chegou em casa ainda com a energia lá em cima, sem sono, e resolveu entrar no estúdio. Não havia ideia de hit, single ou sucesso. Ele simplesmente montou um beat simples, começou a brincar no teclado e a mexer nos sintetizadores para ver o que saía.

No meio desses testes, apareceu um som diferente. Daqueles que parecem erro, mas ficam martelando na cabeça. A melodia nasceu ali, quase por acaso. A produção foi bem básica: bateria feita em sampler Akai, linha de baixo com uma 303 clássica e a melodia vinda de um sintetizador Waldorf. Influenciado pelo techno tribal que ele curtia na época, Da Hool colocou esse clima rítmico na música, o que acabou virando uma das marcas do som.

No dia seguinte, ele ouviu a faixa no carro e pensou: isso aqui é bom. Mesmo assim, quando mandou a música para a gravadora e para outros selos, a resposta foi sempre a mesma. Gostaram, mas disseram que não parecia um hit. Depois de várias negativas, ele decidiu lançar o disco por conta própria, pelo selo B-Sides.

A partir daí, a música começou a se espalhar sozinha. DJs começaram a tocar, o público reagiu na hora e logo o som estava em todo lugar. Um dos momentos mais importantes aconteceu em um clube em Barcelona. Depois de tocar a faixa no fim do set, um DJ ligado à gravadora belga Bonsai Records quis saber que música era aquela. Poucos dias depois, ligou pedindo para licenciar o som. A música já estava grande demais para ficar restrita a um selo pequeno.

O nome Meet Her at the Love Parade veio da própria experiência de Da Hool no evento. A Love Parade não era só uma festa. Era liberdade, energia, amor, paz e união nas ruas de Berlim. O clipe seguiu esse mesmo espírito, gravado no trajeto da Love Parade, com produção simples, poucos dançarinos e sem multidões. O próprio Da Hool aparece pouco no vídeo, porque a ideia sempre foi deixar a música em primeiro plano.



O sucesso mudou completamente a vida do artista. A partir dali, ele passou a tocar no mundo inteiro, com shows nos Estados Unidos, Brasil, Austrália, Colômbia e vários outros países. A música chamou a atenção de grandes nomes da cena. David Guetta chegou a entrar em contato para falar sobre uma nova versão da faixa, que acabou não acontecendo por questões de direitos autorais, mas que mostra o tamanho que o som já tinha alcançado.

Com o passar dos anos, Meet Her at the Love Parade ganhou inúmeros remixes, releituras, bootlegs e mashups. DJs de todos os estilos seguem tocando a música, do techno ao house, do underground ao mainstream. Parcerias e versões com artistas como Tiësto ajudaram a manter o clássico sempre vivo e atual.

Décadas depois do lançamento, a música continua presente em todo tipo de lugar: clubes, festivais, festas, casamentos e eventos ao ar livre. Em 2024, ela chegou a um dos momentos mais simbólicos de sua história ao tocar na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris, vista por cerca de um bilhão de pessoas no mundo inteiro. E o detalhe mais curioso é que o próprio Da Hool quase perdeu esse momento. Ele conta que assistia à cerimônia pela TV, saiu por alguns minutos para ir ao banheiro e, quando voltou, o celular estava enlouquecido, cheio de mensagens, ligações e vídeos enviados por amigos. Foi assim que ele percebeu que sua música estava tocando para o planeta inteiro.

Meet Her at the Love Parade nunca foi um hino oficial, mas sempre foi um hino do público. Toda vez que toca, a reação é imediata: gente sorrindo, braços levantados e aquela energia coletiva que só a música eletrônica consegue criar. Talvez seja por isso que ela nunca envelhece. Não é uma música presa a uma época. É uma música que pertence às pessoas.

Fonte: Entrevista com Da Hool para a revista DJ Mag


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