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Agora é lei: a eletrônica é cultura

Música eletrônica é reconhecida oficialmente como patrimônio em São Paulo

por Fabrício Lopes - 24/02/2026



Nos últimos anos, algo curioso começou a acontecer no mundo inteiro. Aquilo que por muito tempo foi visto apenas como entretenimento noturno começou a ganhar reconhecimento oficial como cultura. Na Alemanha, a cultura techno de Berlim passou a integrar o inventário nacional de patrimônio cultural imaterial. Na França, a música eletrônica também entrou na lista de patrimônio cultural do país. Não estamos falando de “selo cool” ou homenagem simbólica. Estamos falando de Estado reconhecendo pista, clube, DJ, produtor, coletivo e toda uma linguagem sonora como parte da identidade cultural de uma nação.

Quando a gente olha para esse movimento global, o que aconteceu em São Paulo deixa de ser apenas uma notícia e passa a ser um marco histórico.

No dia 13 de fevereiro, a música eletrônica foi oficialmente reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado de São Paulo, por meio da Lei Estadual nº 18.400, originada do Projeto de Lei 462/2025, de autoria do deputado Caio França (PSB), aprovado na Assembleia Legislativa.

Traduzindo para uma linguagem mais direta: o Estado assumiu que a música eletrônica faz parte da cultura paulista.

Isso significa reconhecer que a cena impacta a cidade de forma ativa, movimenta economia, cria empregos, forma artistas, ocupa espaços e constrói identidade. Não é só festa. Não é só balada. É manifestação cultural viva.

Durante anos, a música eletrônica cresceu por conta própria. Festas independentes, galpões, clubes icônicos, DJs produzindo em quarto improvisado, coletivos organizando eventos sem apoio institucional. A cultura se estruturou de baixo para cima. O reconhecimento só veio depois.

E o timing não poderia ser mais simbólico.

Em 2026, a cena já mostrou sua força com o show do DJ escocês Calvin Harris no pré-Carnaval da capital, reunindo milhares de pessoas. Também foi anunciada mais uma turnê internacional de Alok, com apresentação única no país. E nomes como Vintage Culture seguem colocando o Brasil no radar global da música eletrônica.

O reconhecimento como patrimônio imaterial não transforma automaticamente a realidade da cena, mas muda a narrativa. A eletrônica passa a ocupar um lugar oficial na história cultural do estado.

Durante muito tempo, DJ precisou provar que era artista. A pista precisou provar que era espaço cultural. A música eletrônica precisou provar que era mais do que tendência. Agora, isso está registrado em lei.

E quando a gente olha para o que aconteceu na Alemanha, na França e em outros países, fica claro que esse não é um movimento isolado. É um reconhecimento global de que a cultura de pista moldou gerações, comportamentos, estética e até a economia criativa.

São Paulo apenas oficializou aquilo que a cidade já vive há décadas.

A eletrônica não é moda. Não é fase. Não é nicho. É parte da identidade urbana contemporânea.

A pista sempre soube. Agora virou lei.


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