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Raiz de DJ, impacto global: Mark Ronson é homenageado no BRITs
Entre toca-discos, Amy Winehouse e hits globais, o produtor relembra a música que mudou sua vida
por Fabrício Lopes - 03/03/2026

Raiz de DJ, impacto global: Mark Ronson é homenageado no BRITs
por Fabrício Lopes - 03/03/2026
De dois toca-discos ao topo da indústria. Foi assim que Mark Ronson escreveu a própria história — e foi exatamente assim que ele abriu sua apresentação no BRIT Awards 2026, voltando às origens, atrás das pick-ups, lembrando que antes de ser produtor premiado, ele era DJ.
O BRIT Awards é a maior premiação da música britânica, uma espécie de Grammy do Reino Unido. E em 2026, Ronson recebeu o prêmio de Contribuição Extraordinária para a Música, reconhecimento dado a artistas que realmente mudaram o jogo. E ele mudou.
Antes dos prêmios, antes do Oscar, antes de dominar as paradas, Ronson era o cara que garimpava vinil e misturava hip hop, funk e soul nas noites de Nova York. Essa formação de DJ moldou tudo o que veio depois. Ele nunca foi apenas um produtor de estúdio. Ele sempre pensou como quem entende pista, energia e narrativa musical.
Durante o discurso, ele relembrou o dia em que conheceu Amy Winehouse no estúdio, quase 20 anos atrás. Naquela noite, depois de horas conversando, nasceu Back to Black. E ele resumiu tudo em uma frase simples: aquele dia mudou minha vida para sempre.
A parceria resultou no álbum Back to Black, um dos discos mais importantes do século 21, com faixas como Rehab e Valerie marcando uma geração inteira. Ronson deixou claro que foi a música feita com Amy que colocou seu nome no mapa mundial. E essa é uma reflexão poderosa. Todo DJ tem aquela música que vira chave. Aquela que muda a forma de ouvir, de tocar, de enxergar a própria carreira. Para Ronson, foi Back to Black. E para você?
Depois do discurso, veio uma apresentação que foi praticamente um documentário ao vivo da carreira dele. Começou com Ghostface Killah em Ooh Wee, lembrando o lado hip hop das raízes. Em seguida, o tributo a Amy tomou conta do palco com Back to Black e Valerie, em um momento carregado de emoção. E quando parecia que a noite já tinha entregue tudo, Dua Lipa entrou em cena para cantar Dance The Night e Electricity, mostrando o lado pop contemporâneo dessa trajetória.
Ronson é o nome por trás de Uptown Funk com Bruno Mars, de Shallow com Lady Gaga, trilha premiada no cinema, e ainda esteve à frente da curadoria musical de Barbie. São nove Grammys, BRIT Awards, Oscar, Globo de Ouro. Mas o que realmente sustenta essa carreira é a visão artística. Ele sabe misturar soul, funk, hip hop e pop sem perder identidade. Ele entende sampling não como atalho, mas como continuidade da história da música.
E talvez a maior mensagem da noite seja essa: a música que muda sua vida pode nascer de um encontro inesperado. Pode nascer de uma conversa longa no estúdio. Pode nascer de uma conexão verdadeira.
Mark Ronson saiu da cabine, levou a mentalidade de DJ para o mainstream e provou que entender pista é entender o mundo. E às vezes tudo começa com dois toca-discos e uma música que vira sua história do avesso.


