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O outro lado de Armin van Buuren
Armin van Buuren fala sobre sucesso, pressão e saúde mental no Flow
por Fabrício Lopes - 24/03/2026

O outro lado de Armin van Buuren
por Fabrício Lopes - 24/03/2026
Tem entrevista que vai além da música. E a participação de Armin van Buuren no Flow Podcast é exatamente isso.
Ao invés de só falar de carreira, hits ou festivais, Armin trouxe algo mais raro hoje em dia: honestidade. Daquelas que fazem você parar e ouvir de verdade.
Pra quem conhece só o lado gigante — palcos lotados, status de número 1 do mundo, milhões de fãs — vale lembrar que a história começou bem diferente. Lá atrás, ele não tinha certeza de que viveria de música. Tanto que manteve a faculdade de Direito como plano B. Durante um tempo, vivia essa vida dupla: escritório durante a semana, DJ nos finais de semana.
E mesmo quando a carreira começou a decolar, ele ainda não se via como alguém “garantido”. Não tinha essa confiança toda. E isso diz muito.
Na conversa, ele também relembra como a música eletrônica mudou. De algo mais underground, quase escondido, para um fenômeno global. Principalmente entre 2008 e 2012, quando o som explodiu de vez, ganhou rádio, ganhou festival gigante e virou o que muita gente passou a chamar de EDM.
Só que, segundo ele, esse ciclo também mudou.
Hoje, o público quer outra coisa. Quer mais conexão, mais história, sets mais longos, menos “fórmula pronta”. Menos efeito, mais sentimento. E vindo de alguém que vive isso há décadas, faz sentido parar pra pensar.
Mas talvez o ponto mais forte da entrevista não esteja na música.
Está no lado humano.
Armin falou abertamente sobre um período difícil da vida, ali por volta de 2010. Mesmo sendo considerado o melhor DJ do mundo, ele não estava feliz. Se sentia pressionado, tentando agradar todo mundo o tempo inteiro.
E aí entra uma palavra que muita gente evita: terapia.
Foi nesse processo que ele começou a entender seus limites, aprender a dizer “não” e, principalmente, reorganizar prioridades. Hoje, ele reduziu a agenda, escolhe melhor onde e quando tocar, e faz questão de estar presente em momentos simples da vida, como a rotina com os filhos.
Pode parecer básico… mas pra quem vive no nível de exposição e cobrança que ele vive, isso é quase revolucionário.
Outro ponto interessante é como ele encara o futuro.
Armin não está preso ao que sempre funcionou. Um exemplo disso é o projeto “Piano”, onde ele leva suas músicas para um formato mais íntimo, mais emocional, sem a pressão da pista.
E quando o assunto é inteligência artificial, ele não entra no discurso do medo. Pelo contrário. Vê como ferramenta. Como mais uma etapa da evolução da música. Pra ele, o que vai diferenciar não é a tecnologia — é quem está por trás dela. A ideia, a intenção, a história.
No fim das contas, a sensação que fica é simples.
Mesmo depois de tudo, Armin continua em movimento.
Não só como artista, mas como pessoa.
E talvez seja exatamente isso que mantém ele relevante até hoje. Não é só técnica, não é só carreira, não é só sucesso.
É consciência.
Se quiser entender melhor esse lado, vale muito dar o play nessa conversa completa no Flow. Porque mais do que falar de música… ela fala de equilíbrio.



