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Manual do Jerico Moderno

Porque nem toda ideia absurda merece ser descartada

por Fabrício Lopes - 21/04/2026



Quem nunca ouviu ou soltou um “isso é ideia de jerico”?

A expressão é usada pra definir uma ideia absurda, sem lógica, meio sem noção. “Jerico”, ou “girico”, é uma variação popular de jumento, um animal que na cultura popular acabou sendo associado à teimosia ou falta de inteligência. Por isso, qualquer sugestão fora do padrão já ganha esse rótulo quase automaticamente.

Só que esses dias, no grupo da Central DJ, rolou aquela resenha clássica em cima disso. E a pergunta foi direta: e se várias ideias de jerico forem justamente o começo de algo grande?

Porque a história da música está cheia de exemplos assim. Coisas que nasceram de erro, de tentativa, de limitação técnica, e acabaram virando identidade. O clássico “I Feel Love”, da Donna Summer com Giorgio Moroder, sempre aparece nessas conversas. Muita gente diz que parte da mágica veio justamente de imperfeições no processo. Aquela coisa que saiu diferente do planejado, mas que funcionou melhor assim.

E é exatamente aí que entra essa história.

O britânico Graham Dunning resolveu levar esse conceito ao extremo. Ele pegou um toca-discos e transformou numa máquina de criar batidas. Mas esquece software, tela ou botão. Aqui o processo é totalmente físico.

No lugar de um vinil tradicional, entra um disco com marcações de tempo. E em vez de programar a batida no computador, você posiciona pequenas bolinhas de metal nesses pontos. Cada bolinha representa um som.

O prato gira normalmente. E conforme essas bolinhas passam por sensores posicionados acima do disco, elas disparam sons em uma drum machine conectada. Ou seja, o ritmo nasce literalmente do movimento físico ali na sua frente. Dá pra ver o beat acontecendo.

Como o toca-discos gira numa velocidade fixa, existe uma limitação natural. Ele só consegue trabalhar com um trecho curto de música, basicamente um compasso. Se tentar colocar mais informação, a velocidade sobe demais e vira algo difícil de controlar.

Mas dentro desse espaço acontece algo interessante. Como tudo é físico, pequenas variações e desalinhamentos viram parte do groove. Nada fica perfeitamente encaixado como no digital. Aquela imperfeição que normalmente seria corrigida acaba virando característica.

E isso tem tudo a ver com a proposta do artista. O trabalho do Graham Dunning trata o som como algo físico, quase como matéria. Ele trabalha com objetos reaproveitados, valoriza ruídos que muita gente tenta eliminar e cria sistemas que muitas vezes são instáveis de propósito.

Esse projeto faz parte de uma pesquisa dele na London South Bank University, dentro de um conceito chamado Mechanical Techno. A ideia é sair da lógica perfeita do software e trazer a música para um ambiente onde o processo é visível, físico e sujeito ao erro.

No fim das contas, olhando de fora, dá até vontade de chamar isso de ideia de jerico. Um monte de disco modificado, bolinha girando, sensor disparando som, tudo funcionando no limite.

Mas aí vem a provocação.

Isso funcionaria hoje? Valeria a pena levar toda essa estrutura pra oferecer algo diferente? Ou é só uma boa ideia… que na prática complica mais do que ajuda?

Porque se a história já mostrou alguma coisa, é que muitas ideias que pareciam absurdas no começo acabaram virando referência depois.

Será que o jerico é o problema… ou será que ele é justamente o início de algo novo?

Agora vale assistir o Dj em ação e tirar suas próprias conclusões.

Fonte:

Gizmodo – PhD Student Uses Turntable to Create the Most Impractical Drum Machine Ever


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