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Pagar alguém para ir ao show no seu lugar? FOMO chega a outro nível
Serviço envia fotos e vídeos em tempo real para que o cliente publique nas redes como se estivesse vivendo a experiência
por Fabrício Lopes - 14/07/2026

Pagar alguém para ir ao show no seu lugar? FOMO chega a outro nível
por Fabrício Lopes - 14/07/2026
Você pagaria alguém para ir a um festival de música no seu lugar? Não para vender o ingresso, mas apenas para produzir fotos e vídeos para você postar no Instagram como se estivesse lá.
Parece piada, mas essa é uma tendência que começou a viralizar nas redes sociais. Um vídeo que circulou nas últimas semanas mostra uma jovem entrando em um show, registrando o palco e enviando as imagens em tempo real para clientes que ficaram em casa.
O objetivo não é revender o ingresso nem aplicar golpes: quem contrata o serviço sabe perfeitamente que não está no evento. O que está comprando é apenas a aparência de ter participado.
Na prática, a pessoa contratada entra no festival, grava vídeos, faz fotos do palco, registra o clima da multidão e envia todo o material instantaneamente.
O cliente publica o conteúdo em seus próprios perfis e passa a impressão de que viveu aquela experiência.
O FOMO virou vitrine?
O fenômeno chama atenção por inverter um conceito bastante conhecido na cultura digital: o FOMO, sigla para Fear Of Missing Out, ou medo de ficar de fora.
O termo surgiu para definir a ansiedade de perder experiências que outras pessoas estão vivendo. Agora, o movimento parece caminhar para um novo estágio: mais importante do que participar é convencer os outros de que você participou.
É uma espécie de FOMO reverso. Em vez do medo de perder um evento, surge a necessidade de construir uma imagem de quem estava presente, mesmo que isso nunca tenha acontecido.
Um mercado de aparências
A ideia pode parecer extrema, mas faz parte de um mercado crescente de serviços curiosos. No Japão, por exemplo, já existem empresas que oferecem pessoas para enfrentar filas no lugar dos clientes, convidados profissionais para casamentos e até acompanhantes contratados para eventos sociais.
No universo da música eletrônica, onde festivais como Tomorrowland, Ultra, EDC e as grandes festas de Ibiza movimentam milhões de publicações nas redes sociais, a discussão vai além da tecnologia.
Ela levanta uma pergunta interessante: será que a experiência ainda é o mais importante, ou ela passou a valer apenas quando pode ser compartilhada online?
No fim das contas, a pista continua sendo o lugar onde a música acontece de verdade. Mas, para alguns, hoje parece que basta um Story bem feito para convencer o mundo do contrário.
Matéria adaptada a partir de reportagem publicada pela m2o Radio Itália.



