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Há 25 anos, o Rock in Rio abria a pista para a música eletrônica
Em 2001, techno, house, trance e drum'n'bass ganharam espaço no maior festival do país
por Fabrício Lopes - 10/08/2026

Há 25 anos, o Rock in Rio abria a pista para a música eletrônica
por Fabrício Lopes - 10/08/2026
Hoje é absolutamente normal encontrar DJs e grandes nomes da música eletrônica no Rock in Rio. Mas, há 25 anos, a história era bem diferente.
Em 2001, durante o Rock in Rio III, o festival abriu pela primeira vez um espaço dedicado à dance music: a Tenda Eletro.
E não estamos falando apenas de colocar alguns DJs para tocar depois dos shows. A proposta era apresentar diferentes lados da música eletrônica ao público, passando por house, techno, trance e drum’n’bass, numa época em que boa parte desses estilos ainda estava longe de ter a exposição que possui atualmente no Brasil.
Era um momento muito diferente. Para muita gente, DJ ainda era praticamente sinônimo de “quem coloca música na festa”. Termos como techno, house ou drum’n’bass estavam crescendo nas pistas e nas grandes cidades, mas ainda precisavam ser apresentados e explicados para o grande público.
Um registro daquela época mostra perfeitamente essa mudança.
Em uma reportagem para o Video Show, da TV Globo, André Marques circulou pelo Rock in Rio e conversou com DJs sobre os diferentes estilos da música eletrônica.
Visto 25 anos depois, o vídeo funciona quase como uma pequena cápsula do tempo.
Os DJs explicavam as diferenças entre os gêneros, apresentando ao telespectador universos como techno, house, trance e drum’n’bass.
Hoje pode parecer curioso imaginar alguém precisando explicar na televisão o que é house ou techno. Mas justamente aí está a importância daquele momento.
O Rock in Rio estava colocando essa cultura diante de um público gigantesco — inclusive pessoas que provavelmente nunca tinham frequentado um clube de música eletrônica ou uma rave.
A programação da Tenda Eletro também ajuda a entender a dimensão da aposta.
O espaço recebeu DJs brasileiros e internacionais e teve noites dedicadas a diferentes vertentes da música eletrônica. Entre os nomes que passaram pela programação estavam DJ Marky, Camilo Rocha, Memê, Felipe Venâncio, Ferry Corsten, Dave Angel e George Morel, entre outros.
E algumas combinações seriam quase inimagináveis fora do Rock in Rio.
Na noite de 19 de janeiro de 2001, por exemplo, o Palco Mundo estava completamente voltado ao peso de nomes como Iron Maiden, Sepultura, Rob Halford e Queens of the Stone Age.
Enquanto isso, em outro ponto da Cidade do Rock, DJ Marky comandava a Tenda Eletro com drum’n’bass.
E o impacto foi percebido rapidamente por quem estava dentro daquela cena.
Esse é um dos pontos mais importantes quando olhamos para 2001 com a perspectiva de hoje.
A música eletrônica brasileira já existia, tinha clubes, festas, DJs, produtores e público. O que o Rock in Rio ofereceu foi outra coisa: uma vitrine gigantesca.
A pista estava sendo colocada dentro de um dos maiores acontecimentos da cultura pop brasileira.
A melhor maneira de entender o tamanho daquela transformação seja comparar duas imagens.
2001: uma tenda onde DJs explicavam ao público as diferenças entre house, techno, trance e drum’n’bass.
2026: um mega palco dedicado à cultura eletrônica dentro da Cidade do Rock.
A antiga Tenda Eletro deu lugar, ao longo dessa história, a diferentes conceitos até chegarmos ao New Dance Order, tratado pelo próprio Rock in Rio como a grande pista de dança do festival.
Para a edição de 2026, o espaço ganhou uma estrutura ainda maior, com aproximadamente 56 metros de largura, mais de 22 metros de altura e centenas de metros quadrados de painéis de LED.
E um dos grandes nomes anunciados para comandar essa pista é ninguém menos que Fatboy Slim.
A comparação diz praticamente tudo.
Há 25 anos, o desafio era mostrar ao grande público o que aquela nova cultura representava.
Hoje, a música eletrônica não precisa mais pedir licença para entrar.
Ela tem palco, identidade, público e posição de destaque dentro do festival.
Uma pista que ajudou a mudar a história
É claro que a explosão da música eletrônica no Brasil não aconteceu por causa de um único festival. Clubes, raves, rádios, DJs, produtores e festas independentes já vinham construindo essa história muito antes de 2001.
Mas colocar aquela cultura dentro do Rock in Rio significava atravessar uma fronteira importante.
A Tenda Eletro colocou DJs diante de um público que talvez nunca fosse espontaneamente procurar uma pista de techno, house, trance ou drum’n’bass.
Em 2001, André Marques perguntava aos DJs o que significavam aqueles diferentes estilos.
Vinte e cinco anos depois, alguns dos maiores DJs do planeta chegam ao Rock in Rio sem precisar explicar absolutamente nada.
E entre uma coisa e outra existem 25 anos de história da música eletrônica dentro da Cidade do Rock.
Fonte: House Mag



