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John Martin!

A voz que transformou "Save The World" e "Don't You Worry Child" em hinos do EDM

por Fabrício Lopes - 10/08/2026



Talvez você não reconheça imediatamente o nome John Martin. Mas basta tocar os primeiros segundos de “Save The World” ou chegar ao refrão de “Don’t You Worry Child” para tudo fazer sentido.

Sim: é dele aquela voz.

O cantor e compositor sueco foi uma das peças fundamentais da chamada era de ouro do EDM, período em que a música eletrônica saiu definitivamente dos clubes para ocupar rádios, grandes festivais e estádios ao redor do planeta.

E o mais curioso é que, antes de dividir músicas com Swedish House Mafia, Avicii, Martin Garrix, Alesso, David Guetta e tantos outros gigantes da cena, John Martin estava muito mais perto do rock do que da música eletrônica.

Antes do EDM, veio o grunge
Nascido em Estocolmo, na Suécia, em 1980, John Martin Lindström cresceu ouvindo rock e foi especialmente influenciado pelo movimento grunge que explodiu a partir de Seattle nos anos 90.

Ainda adolescente, ganhou interesse pela guitarra e montou com amigos a banda Steroids, que inicialmente tocava covers do Nirvana.

John nem sequer era o vocalista.

A mudança aconteceu quando o cantor da banda deixou o grupo pouco antes de uma apresentação. John assumiu o microfone e descobriu ali uma habilidade que, alguns anos depois, seria conhecida por milhões de pessoas.

A Steroids chegou a circular pela cena alternativa de Estocolmo e até gravou um álbum, mas o projeto nunca alcançou o grande público.

O destino de John Martin estava em outro lugar.

E, por incrível que pareça, esse lugar seria a pista de dança.

O encontro que mudou tudo
No final da trajetória da Steroids, John conheceu o compositor e produtor sueco Michel Zitron. Os dois começaram uma parceria criativa que se tornaria extremamente importante para a música eletrônica dos anos seguintes.

Foi através dessa conexão que John Martin entrou no radar de Axwell.

E aí a história mudou completamente.

Em 2011, o mundo conheceu:

Swedish House Mafia feat. John Martin – “Save The World”.

A combinação era perfeita.

De um lado, a produção grandiosa de Axwell, Steve Angello e Sebastian Ingrosso. Do outro, uma voz que tinha algo diferente do padrão encontrado em muitas produções eletrônicas da época.

John Martin cantava como vocalista de uma banda de rock.

Sua interpretação tinha força, melodia e emoção.

“Save The World” virou um enorme sucesso internacional, chegou ao Top 10 britânico e ainda recebeu indicação ao Grammy.

Mas aquilo seria apenas o começo.

“Don’t You Worry Child”: o momento em que tudo explodiu
Em 2012 veio a música que eternizaria definitivamente aquela parceria.

Swedish House Mafia feat. John Martin – “Don’t You Worry Child”.

É difícil falar sobre a explosão mundial do EDM no início da década passada sem passar por essa faixa.

A música tinha tudo o que marcou aquele período: piano, construção emocional, um enorme drop e um refrão feito para ser cantado por milhares de pessoas ao mesmo tempo.

Mas havia outro ingrediente fundamental:

a interpretação de John Martin.

“Don't You Worry Child” chegou ao primeiro lugar no Reino Unido e entrou no Top 10 da Billboard Hot 100 nos Estados Unidos.

Mais importante do que os números, porém, foi o que aconteceu nas pistas.

A faixa ultrapassou a condição de hit eletrônico e virou praticamente um hino geracional.

Foi uma daquelas músicas capazes de funcionar em uma pista, no rádio, em um festival para dezenas de milhares de pessoas ou simplesmente nos fones de ouvido.

E transformou definitivamente John Martin em uma das vozes mais reconhecíveis da dance music.

A voz estava em todo lugar
Depois disso, encontrar John Martin nos créditos de grandes produções virou algo relativamente comum.

Em 2013, ele apareceu em outro clássico daquele período:

Sebastian Ingrosso, Tommy Trash & John Martin – “Reload”.

Mais uma vez, a fórmula funcionou: produção gigantesca, refrão emocional e aquela voz imediatamente reconhecível.

No mesmo período, John também participou de “Children Of The Sun”, de Tinie Tempah.

E existe ainda uma ligação interessante com outro gigante sueco.

John Martin e Michel Zitron participaram da composição de “Fade Into Darkness”, de Avicii, lançada em 2011.

Ou seja, enquanto o chamado Swedish EDM conquistava o planeta, John Martin estava no meio daquela revolução.

Martin Garrix, Alok, ARTBAT e uma nova geração
O fim daquela primeira explosão do EDM não significou o desaparecimento de John Martin.

Muito pelo contrário.

Ele passou a colaborar com uma nova geração de produtores e construiu uma relação especialmente forte com Martin Garrix.

Sua voz aparece em faixas como “Now That I've Found You”, “Higher Ground” e “Won't Let You Go”, além de John participar como compositor de outras produções ligadas ao DJ holandês.

Também vieram trabalhos com nomes como David Guetta, Steve Aoki, Gryffin, Alesso e vários outros artistas da música eletrônica.

E o Brasil também entrou nessa história.

Em 2021, John Martin apareceu ao lado de Alok em “Wherever You Go”, mais uma produção construída justamente sobre aquilo que se tornou sua especialidade: unir música eletrônica a uma grande canção pop.

Em 2023, ele se juntou ao ARTBAT em “Coming Home”, mostrando sua capacidade de funcionar também dentro de uma sonoridade eletrônica diferente daquela do progressive house que marcou sua explosão mundial.

John Martin tentou carreira solo
Em meio a tantas colaborações, havia uma questão inevitável:

Quem era o homem por trás daquela voz?

Em 2014, John Martin decidiu colocar seu próprio nome no centro do palco e lançou “Anywhere For You”.

Era uma tentativa de fazer o público finalmente associar aquela voz, já conhecida mundialmente, ao artista que estava por trás dela.

A música conseguiu boa repercussão, principalmente na Europa, e John chegou a preparar uma carreira solo mais ampla.

Um álbum chegou a ser planejado, mas acabou não sendo lançado.

Curiosamente, sua trajetória continuaria sendo definida principalmente pelas colaborações.

VCATION: John Martin fora dos grandes drops
Em 2018, John Martin e seu velho parceiro Michel Zitron criaram o projeto VCATION.

A proposta mostrou outro lado dos dois compositores.

Em vez dos gigantescos drops de festival, o VCATION passou a explorar músicas mais orgânicas, acústicas e relaxadas.

Era quase como observar os compositores por trás dos hits deixando temporariamente os grandes palcos para simplesmente fazer canções.

Mas John nunca abandonou completamente a música eletrônica.

E talvez nem pudesse.

Sua voz já faz parte da história desse universo.

O “cantor invisível” da era de ouro do EDM
Existe algo interessante na trajetória de John Martin.

Durante muitos anos, milhões de pessoas conheciam perfeitamente sua voz sem necessariamente conhecer seu rosto.

Elas sabiam cantar:

“Who's gonna save the world tonight?”

E alguns meses depois estavam diante dos palcos cantando:

“Don't you worry, don't you worry child…”

Os nomes gigantes nos cartazes eram Swedish House Mafia, Avicii, Ingrosso, Martin Garrix e outros DJs.

Mas por trás de alguns dos momentos mais emocionantes daquela geração estava o mesmo cantor sueco.

John Martin ajudou a provar algo que se tornaria fundamental para o EDM dos anos 2010: um grande drop podia fazer uma multidão pular, mas uma grande canção fazia essa mesma multidão lembrar daquela música dez ou quinze anos depois.

E talvez seja exatamente por isso que “Save The World”, “Reload” e principalmente “Don’t You Worry Child” continuam funcionando tão bem.

Elas não ficaram presas apenas à sonoridade de uma época.

Viraram músicas que contam a história de uma geração.

E quando aquela voz começa a tocar, não importa se estamos em 2011, 2012 ou 2026.

Por alguns minutos, a era de ouro do EDM está de volta.


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