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Madonna volta à Danceteria, onde tudo começou
Novo single resgata o lendário clube de Nova York onde "Everybody" abriu caminho para a futura Rainha do Pop
por Fabrício Lopes - 16/08/2026

Madonna volta à Danceteria, onde tudo começou
por Fabrício Lopes - 16/08/2026
Um clube fechado há quase 40 anos voltou ao centro da história de Madonna. Danceteria, um dos espaços mais importantes da cena underground de Nova York no início dos anos 1980, agora dá nome ao terceiro single de “Confessions II”.
Mais do que uma homenagem, a música funciona como uma viagem a 1982, quando Madonna tinha 24 anos e ainda tentava encontrar seu espaço na efervescente cena musical de Manhattan.
Foi justamente na Danceteria que aconteceu um dos momentos decisivos de sua carreira.
Na letra de “Danceteria”, Madonna reconstrói personagens e acontecimentos daquela época. Entre os nomes lembrados estão seu amigo Martin Burgoyne, o segurança e figura da noite nova-iorquina Haoui Montaug, a atriz Debi Mazar e, principalmente, o DJ Mark Kamins.
Kamins teve papel fundamental no início da carreira da cantora e também manteve um relacionamento com Madonna naquele período.
Em 1982, foi ele quem colocou para tocar na Danceteria uma demo de “Everybody”, diante de aproximadamente 300 pessoas.
A reação ajudou a colocar Madonna no radar da indústria fonográfica e abriu caminho para seu primeiro contrato. “Everybody” acabaria sendo lançado naquele mesmo ano e se tornaria oficialmente seu primeiro single.
A Danceteria havia sido inaugurada em 1979 e, em 1982, mudou-se para o número 30 da West 21st Street, em Manhattan.
Mas chamar o lugar simplesmente de discoteca seria pouco.
A Danceteria funcionava como um ponto de encontro entre música, arte, moda e cultura underground, reunindo personagens que ajudariam a definir a Nova York daquela década.
Sua importância cultural pode ser colocada ao lado de espaços históricos da cidade ligados à arte e à noite, como a Factory de Andy Warhol e o Studio 54.
E a lista de pessoas que passaram pelo lugar parece hoje quase inacreditável.
Os Beastie Boys chegaram a trabalhar como faxineiros. Sade trabalhou no bar antes da fama. LL Cool J também fez parte da equipe do clube.
No palco e entre seus frequentadores passaram artistas como New Order, Sonic Youth, Nick Cave e muitos outros nomes que posteriormente se tornariam referências internacionais.
A cantora cita nomes como Fab Five Freddy, Jean-Michel Basquiat, Keith Haring, Kenny Scharf, Rock Steady Crew, Nile Rodgers e The B-52’s.
Basquiat possui uma ligação particularmente pessoal com essa história: ele e Madonna tiveram um relacionamento antes de ambos alcançarem a dimensão que posteriormente teriam na cultura pop.
Keith Haring também se tornaria amigo próximo da cantora.
Todos faziam parte de uma Nova York em que as fronteiras entre música, pintura, grafite, hip-hop, punk, new wave, moda e vida noturna praticamente desapareciam.
E a Danceteria era um dos lugares onde esses mundos se encontravam.
A escolha desse momento da própria história também combina com a proposta de “Confessions II”, projeto em que Madonna volta a trabalhar com Stuart Price e novamente coloca a dance music no centro de seu universo.
É uma conexão direta com o espírito de “Confessions on a Dance Floor”, lançado em 2005, mas agora olhando também para as origens da própria artista.
Para Madonna, a pista não representa apenas diversão. Ela já descreveu o dancefloor como um espaço de conexão, vulnerabilidade, superação e encontro com uma comunidade.
E poucas pistas representam isso em sua própria história tão bem quanto aquela da Danceteria.
Antes dos estádios lotados, das turnês gigantescas e de se tornar a Rainha do Pop, existiu uma jovem de 24 anos tentando convencer um DJ a tocar sua demo em um clube de Nova York.
O DJ era Mark Kamins.
A música era “Everybody”.
O clube era a Danceteria.
E foi ali que uma das maiores carreiras da história da música pop começou a ganhar forma.



