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Quem é o dono do C+C Music Factory?
Disputa entre Robert Clivillés e Freedom Williams vira processo de US$ 30 milhões
por Fabrício Lopes - 24/08/2026

Quem é o dono do C+C Music Factory?
por Fabrício Lopes - 24/08/2026
Um dos nomes mais emblemáticos da dance music dos anos 90 está no centro de uma disputa que envolve marca, dinheiro e a própria história do grupo. Robert Clivillés, cofundador do C+C Music Factory, entrou com um processo contra o rapper Freedom Williams pedindo US$ 30 milhões em indenização.
A ação envolve acusações de violação de marca registrada, fraude e difamação. Mais do que dinheiro, porém, Clivillés quer recuperar o controle sobre o nome C+C Music Factory, atualmente registrado por Williams.
Para entender a briga é preciso voltar ao começo dos anos 90.
O C+C Music Factory foi criado pelos produtores Robert Clivillés e David Cole, responsáveis por desenvolver a identidade musical do projeto. O próprio nome entrega sua origem: C+C significa Clivillés + Cole.
Foi dessa parceria que surgiu um dos maiores fenômenos da dance music daquela década.
Em 1990, o projeto lançou “Gonna Make You Sweat (Everybody Dance Now)”, faixa que explodiu mundialmente e chegou ao primeiro lugar da Billboard Hot 100 nos Estados Unidos.
Freedom Williams era o rapper da gravação e também apareceu em outros sucessos, como “Here We Go (Let's Rock & Roll)” e “Things That Make You Go Hmmmm...”.
E é aí que começa a discussão.
Segundo Clivillés, Williams era um artista convidado e colaborador, e não proprietário ou fundador do C+C Music Factory.
No processo, Clivillés afirma que o C+C sempre funcionou como um projeto comandado por ele e David Cole, enquanto Williams teria exercido um papel de “colaborador subordinado”.
Para defender sua tese, ele compara a situação a outros projetos da música eletrônica.
É como se um cantor convidado em uma produção de David Guetta ou Calvin Harris passasse a reivindicar posteriormente a propriedade sobre o nome artístico do produtor apenas por ter participado de seus grandes sucessos.
Na visão de Clivillés, participar das gravações não transformaria Williams automaticamente em proprietário da marca C+C Music Factory.
David Cole morreu em 1995, aos 32 anos.
Clivillés afirma que, após a morte do parceiro, tornou-se o responsável pelo nome e pelo legado do projeto.
Só que, em 2005, Freedom Williams registrou oficialmente C+C Music Factory como marca nos Estados Unidos e passou a realizar apresentações utilizando o nome.
Clivillés tentou cancelar esse registro em 2016, mas o processo acabou sendo encerrado depois que seu advogado perdeu um prazo.
Agora, dez anos depois, o produtor decidiu levar novamente a disputa à Justiça federal — desta vez apresentando o processo por conta própria, sem advogado.
Segundo ele, Williams teria conseguido o registro da marca fazendo declarações falsas sobre sua propriedade.
A disputa ganhou força novamente em 2026.
Freedom Williams lançou em junho uma nova música chamada “Into the Future”, utilizando o nome C+C Music Factory através do selo independente Big Mac Entertainment.
Para Clivillés, isso ultrapassou a exploração do repertório antigo: Williams estaria agora utilizando a marca histórica para lançar material completamente novo.
O produtor também questiona cachês recebidos por Williams em apresentações realizadas ao longo dos anos usando o nome do grupo.
A ação ainda cita um vídeo publicado por Williams nas redes sociais oficiais associadas ao C+C Music Factory.
Segundo Clivillés, o conteúdo teria incluído referências a Adolf Hitler, insultos raciais e linguagem sexualmente ofensiva, prejudicando a reputação da marca e do próprio produtor.
O episódio estava relacionado à participação de Williams no Great American State Fair, evento ligado ao presidente Donald Trump.
Clivillés incluiu o vídeo entre os argumentos para pedir que Williams seja impedido de continuar utilizando o nome C+C Music Factory.
Freedom Williams diz que processo não tem fundamento
O outro lado, porém, conta uma história bem diferente.
O advogado de Freedom Williams, Charlie Schmitt, afirma que o rapper é o proprietário legal da marca e considera que as acusações de Clivillés não têm fundamento.
A defesa também argumenta que a tentativa anterior de Clivillés de cancelar o registro já foi encerrada judicialmente e que isso poderia impedir uma nova discussão sobre o mesmo assunto.
Ou seja: apesar da importância histórica de Clivillés na criação do projeto, a questão jurídica sobre quem pode usar comercialmente o nome é justamente o que o novo processo pretende resolver.
Clivillés pede US$ 30 milhões em indenizações, mas suas exigências vão além.
Ele quer que a Justiça cancele o registro da marca pertencente a Freedom Williams, proíba o rapper de continuar se apresentando como C+C Music Factory e determine a retirada de “Into the Future” das plataformas de streaming.
É uma disputa que coloca frente a frente duas coisas que nem sempre caminham juntas na indústria musical: quem criou um projeto e quem possui legalmente sua marca.
Para os fãs da dance music dos anos 90, o caso chama ainda mais atenção porque estamos falando do nome por trás de uma música praticamente impossível de separar daquela época.
Pode até existir discussão sobre quem é dono do C+C Music Factory.
Mas bastam as palavras “Everybody Dance Now!” para ninguém ter dúvida sobre o tamanho do legado que está em jogo.
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