CENTRAL DJ NEWS

HUGEL chegou à "Champions League" dos DJs
De um curso de cinco dias à residência no Hï Ibiza, francês vive o auge da carreira
por Fabrício Lopes - 24/08/2026

HUGEL chegou à "Champions League" dos DJs
por Fabrício Lopes - 24/08/2026
HUGEL vive provavelmente o momento mais importante de sua carreira. Dono de uma sequência de hits, produtor requisitado e cada vez mais presente nos principais clubs e festivais do planeta, o francês Florent Hugel chegou a um lugar que perseguia praticamente desde que decidiu ser DJ: uma residência de peso em Ibiza.
Atualmente, HUGEL comanda as noites de quinta-feira no Hï Ibiza e não economiza na comparação. Para ele, ocupar esse espaço é como chegar à “Champions League do mundo dos DJs” — uma conquista construída ao longo de cerca de 20 anos de carreira.
E a história de como ele chegou até lá ajuda a explicar bastante sobre o artista que se tornou.
HUGEL nasceu e cresceu em Marseille, no sul da França, uma cidade marcada pela mistura de culturas africanas, espanholas, italianas, corsas, armênias e mediterrâneas. A própria família do DJ tem origem no sul da Espanha, e ele aponta esse ambiente multicultural como uma das principais influências de sua formação musical.
A escola tradicional, porém, definitivamente não era sua praia.
Aos 16 anos, HUGEL encontrou um curso de DJ de apenas cinco dias em Cannes. O pai fez um acordo: se ele terminasse o diploma que a família esperava, pagaria os €350 necessários para o curso.
HUGEL cumpriu a missão rapidamente.
Depois dos cinco dias em Cannes, voltou completamente viciado em discotecagem e começou a gastar seu dinheiro comprando vinis. Também passou a viajar regularmente para Barcelona atrás de discos de Latin House underground e trabalhos de artistas como Masters At Work.
Sem imaginar, ele já estava encontrando ali boa parte do DNA que décadas depois faria seu nome circular pelo mundo.
Com o sucesso internacional de faixas como “Morenita”, especialmente a partir de 2021, HUGEL acabou se tornando um dos artistas mais associados à nova explosão do Latin House.
Mas existe um detalhe interessante: ele próprio rejeita a ideia de ter criado o estilo.
Segundo HUGEL, as raízes do Latin House são muito anteriores à sua carreira e passam pela cultura latina dos clubs de Nova York. O que ele acredita ter feito foi ajudar a colocar novamente esse som diante de um público mainstream, usando referências que já procurava nos vinis vendidos em Barcelona muito antes da fama.
O sucesso dessa fórmula acabou influenciando uma nova geração de produtores. Muitos começaram inclusive a enviar músicas diretamente para ele procurando uma gravadora.
Foi aí que outra peça importante de sua carreira ganhou força: a Make The Girls Dance Records.
Hoje, HUGEL considera a criação de uma gravadora com identidade sonora própria uma das maiores conquistas de sua trajetória — até mais importante, em alguns aspectos, do que seus hits.
A história fica ainda mais curiosa quando chegamos ao álbum “Twenty One”.
O nome representa os anos de formação e trajetória de HUGEL e funciona praticamente como um autorretrato musical. No disco aparecem algumas das diferentes culturas e estilos que influenciaram sua vida.
E a lista de convidados mostra o tamanho que sua carreira alcançou.
Entre as colaborações estão Snoop Dogg, French Montana, Big Sean, Ultra Naté e David Guetta. Para HUGEL, existe algo quase surreal nisso: vários dos artistas e produtores que fizeram com que ele quisesse trabalhar com música acabaram se tornando amigos e colaboradores.
Apesar de hoje ser imediatamente associado à house music, existe ainda outro lado pouco conhecido dessa história.
HUGEL se define como “um produtor de hip-hop no coração”.
No começo da carreira, seu sonho era produzir rap. Ele cresceu ouvindo nomes como Timbaland, Dr. Dre, Swizz Beatz, Pharrell e Kanye West. Com o tempo, percebeu que simplesmente tentar reproduzir o hip-hop americano não seria suficiente e começou a buscar uma identidade que tivesse mais relação com sua própria origem.
Anos depois, os dois mundos voltaram a se encontrar.
Murda Beatz ajudou a aproximá-lo de outros artistas, enquanto Snoop Dogg chegou a entrar em contato diretamente pelo Instagram. As gravações do álbum aconteceram principalmente em Los Angeles e Miami.
O lançamento de “Twenty One” também proporcionou uma das maiores noites da carreira de HUGEL em Ibiza.
A ideia era ambiciosa: fazer um evento durante a tarde no Ushuaïa Ibiza e seguir diretamente para outra apresentação no Hï Ibiza naquela mesma noite.
David Guetta chegou a questionar o plano. Afinal, HUGEL precisaria lotar dois dos maiores clubs de Ibiza no mesmo dia, praticamente dando ao público a opção de escolher entre uma apresentação ou outra.
HUGEL decidiu bancar o risco.
Os dois eventos esgotaram.
Durante a apresentação, Malachiii subiu ao palco para cantar ao vivo e David Guetta também apareceu durante “Shine”, faixa presente no álbum.
A residência no Hï Ibiza tem ainda uma característica importante.
HUGEL toca três horas todas as quintas-feiras, um tempo maior do que muitos headliners costumam assumir atualmente na ilha.
Para ele, isso significa liberdade.
Em vez de simplesmente chegar, tocar seus maiores hits e ir embora, as três horas permitem construir uma pista, testar músicas inéditas e experimentar demos recebidas por sua gravadora.
É justamente essa ideia de residência que sempre o fascinou.
Antes mesmo de sonhar em ser um superstar, HUGEL observava DJs residentes capazes de construir uma relação com o público semana após semana. Ibiza era um dos poucos lugares onde ele enxergava DJs vivendo isso em uma escala gigantesca.
Ibiza deixou de ser sonho e virou casa
Existe talvez uma boa maneira de resumir a trajetória de HUGEL.
Antes de conhecer Ibiza, ele já tentava imaginar musicalmente como Ibiza deveria soar.
Produzia aquilo que chamava de Balearic House, procurava discos com aquela atmosfera e criava sua própria visão da ilha sem nunca ter colocado os pés nela.
Quando finalmente decidiu conhecer Ibiza, estabeleceu uma regra para si mesmo: não pisaria na ilha como turista. Sua primeira viagem seria para tocar.
E foi exatamente o que aconteceu.
Sua primeira vez em Ibiza aconteceu na mesma noite em que tocou no Pacha, quase dez anos atrás. Desde então, voltou em todas as temporadas.
Hoje, passa cerca de quatro meses por ano na ilha durante a temporada, enquanto Miami funciona como sua outra base. Também abandonou a bebida e incorporou os treinos à rotina para conseguir sustentar o ritmo intenso de shows, viagens e produção musical.
De um curso de DJ de cinco dias que custou €350 a uma residência em um dos clubs mais importantes do planeta, HUGEL levou mais de duas décadas para chegar àquilo que chama de sua Champions League.



