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O futuro que "Virtual Insanity" imaginou há 30 anos já está aqui

Clássico do Jamiroquai nasceu de uma viagem ao Japão e chega aos 30 anos assustadoramente atual - justamente no ano em que a banda volta ao Brasil

por Fabrício Lopes - 31/08/2026



Em fevereiro de 1995, Jay Kay estava em Sendai, no norte do Japão, durante uma turnê do Jamiroquai. Da janela do hotel, o cantor percebeu que praticamente não havia ninguém nas ruas cobertas de neve.

Intrigado, ele saiu do hotel e encontrou uma mulher caminhando pela região. Jay Kay perguntou onde estavam todas as pessoas.

A resposta foi direta: estavam no subterrâneo.

Sendai possuía áreas e passagens subterrâneas utilizadas pela população, especialmente em períodos de inverno intenso. Aquela imagem de uma cidade praticamente vazia na superfície e cheia de pessoas vivendo e circulando abaixo dela despertou imediatamente uma ideia em Jay Kay.

Ele voltou ao hotel e começou a escrever a letra em um papel do próprio estabelecimento. Uma das frases que surgiram naquele momento fazia referência justamente a uma sociedade em que todos viviam no subterrâneo.

Nascia ali a ideia de “Virtual Insanity”.

A música seria lançada no ano seguinte e transformaria aquela experiência no Japão em uma reflexão muito maior sobre tecnologia, comportamento humano, urbanização e os possíveis caminhos da sociedade.

Trinta anos depois, Jay Kay admite que algumas das ideias presentes na letra parecem ainda mais atuais.

O cantor afirmou recentemente que é possível olhar para aquelas palavras escritas em 1995 e perceber que parte daquela previsão acabou se tornando realidade.

O CLIPE QUE FEZ TODO MUNDO PERGUNTAR: COMO ELES FIZERAM ISSO?

Se a música já tinha uma mensagem forte, foi o videoclipe que transformou “Virtual Insanity” em um fenômeno cultural.

Dirigido por Jonathan Glazer, o vídeo mostrava Jay Kay sozinho em uma sala praticamente vazia enquanto sofás, cadeiras e até o próprio ambiente pareciam deslizar de um lado para outro.

Durante anos, muita gente acreditou que o chão se movimentava.

Mas o truque era exatamente o contrário.

O piso permanecia parado.

O cenário inteiro era montado sobre rodas e as paredes eram movimentadas ao redor de Jay Kay. A câmera estava presa ao próprio cenário, ajudando a criar a impressão de que o cantor permanecia no mesmo ambiente enquanto o chão e os móveis deslizavam.

Jonathan Glazer explicou posteriormente que não havia computação gráfica criando o efeito principal: era essencialmente um enorme truque mecânico de perspectiva. 

A ideia inicial de Jay Kay era utilizar esteiras rolantes, semelhantes às encontradas em aeroportos. Mas a solução seria tecnicamente complicada e cara.

Foi então que Glazer teve a ideia de inverter o conceito.

Em vez de mover o chão, eles moveriam a sala.

O diretor chegou a telefonar para Jay Kay por volta de uma da manhã para contar a solução. O cantor admitiu que não entendeu completamente a ideia pelo telefone e só percebeu como aquilo funcionaria quando chegou ao estúdio.

E havia outro detalhe: Jay Kay precisava decorar exatamente seus movimentos.

Enquanto ele dançava, membros da produção deslocavam paredes e móveis fora do enquadramento.

Em alguns momentos, o cantor chegou perigosamente perto de ser atingido.

Jay Kay contou que em uma das cenas quase ficou preso entre um sofá e a parede. Para escapar, improvisou alguns passos na ponta dos pés — movimento que acabou permanecendo no videoclipe.

O resultado parecia tão avançado para 1996 que ajudou a transformar o vídeo em um dos grandes símbolos da era MTV.

UM DOS GRANDES CLIPES DOS ANOS 90

“Virtual Insanity” foi lançada em agosto de 1996 e entrou rapidamente na programação da MTV.

No MTV Video Music Awards de 1997, o videoclipe recebeu dez indicações e conquistou quatro prêmios, incluindo Vídeo do Ano, além de Melhor Cinematografia, Melhores Efeitos Especiais e Vídeo Revelação. 

Na cerimônia, o Jamiroquai ainda apresentou a música utilizando justamente as esteiras rolantes que inicialmente haviam sido imaginadas para o videoclipe.

A faixa também ajudou a impulsionar “Travelling Without Moving”, terceiro álbum da banda e o trabalho responsável por consolidar definitivamente o Jamiroquai no mercado internacional.

O sucesso acabou criando uma imagem praticamente inseparável da música: Jay Kay, seu enorme chapéu preto e aquela sala branca aparentemente impossível.

30 ANOS DEPOIS, O CLIPE VOLTOU A VIRALIZAR

Em 2026, “Virtual Insanity” completa três décadas encontrando uma nova geração.

Recriações do videoclipe começaram a aparecer novamente nas redes sociais, principalmente no TikTok, com pessoas reproduzindo os passos de Jay Kay em esteiras de aeroportos, calçadas e outros locais.

Até versões feitas com Lego apareceram na internet.

Jay Kay também recriou recentemente o conceito do vídeo em uma campanha publicitária, repetindo parte da coreografia aos 56 anos.

Segundo ele, refazer aquela dança três décadas depois não foi exatamente simples: no final das gravações, precisou colocar os pés em um balde com gelo.

E esse novo interesse pelo clássico chega justamente em um momento importante para o Jamiroquai.

A banda prepara seu primeiro álbum de inéditas desde “Automaton”, de 2017.

Jay Kay descreve o novo trabalho como mais alegre, cheio de groove e com uma volta às raízes do grupo. O projeto terá participação do baixista Thundercat em algumas faixas e deve chegar até março de 2027, enquanto um primeiro single pode ser lançado ainda em 2026.

E TEM BRASIL NESSA HISTÓRIA

O aniversário de “Virtual Insanity” será celebrado justamente no ano em que o Jamiroquai retorna ao Brasil.

A banda se apresenta no Rock in Rio no dia 11 de setembro, no Palco Sunset.

O show está marcado para 22h45 e faz parte de uma noite que também terá PJ Morton e outras atrações no mesmo palco. 

Dois dias depois, em 13 de setembro, o Jamiroquai segue para São Paulo para uma apresentação própria no Nubank Parque, antigo Allianz Parque.

O show está marcado para as 21h, com abertura dos portões às 16h. 

A passagem faz parte da nova turnê latino-americana do grupo e marca o retorno do Jamiroquai à região após cerca de oito anos. 

Para o público brasileiro, portanto, os shows de 2026 chegam em um momento especialmente simbólico.

Trinta anos depois daquela viagem de Jay Kay ao Japão, uma música imaginando um futuro dominado pela tecnologia continua atual, viralizando novamente e atravessando gerações.


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