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Armin van Buuren e Laidback Luke se unem à Moises para desenvolver ferramentas de IA
DJs ajudarão a criar novas tecnologias para produtores com foco no uso responsável da inteligência artificial
por Fabrício Lopes - 07/09/2026

Armin van Buuren e Laidback Luke se unem à Moises para desenvolver ferramentas de IA
por Fabrício Lopes - 07/09/2026
Armin van Buuren e Laidback Luke estão entrando diretamente no debate sobre o futuro da inteligência artificial na música eletrônica. Os dois DJs e produtores foram anunciados como os primeiros integrantes do Artist Partnerships, novo programa da plataforma Moises que pretende desenvolver ferramentas de IA em colaboração direta com artistas.
A proposta é colocar músicos e produtores dentro do processo de desenvolvimento das novas tecnologias. Armin e Laidback Luke irão testar ferramentas, fornecer feedback e ajudar a Moises a definir como seus futuros recursos voltados para DJs e produtores deverão funcionar.
A parceria acontece cerca de seis meses depois de Charlie Puth assumir o posto de Chief Music Officer da empresa.
IA com música autorizada
Um dos principais argumentos da Moises para se diferenciar no cada vez mais disputado mercado de inteligência artificial aplicada à música está na maneira como seus modelos são desenvolvidos.
Segundo a empresa, os sistemas são treinados somente com músicas licenciadas e autorizadas.
A questão é particularmente importante em um momento em que gravadoras, artistas e plataformas discutem justamente quais músicas podem ser utilizadas para treinamento de modelos de inteligência artificial e como os detentores dos direitos devem ser remunerados.
A Moises já oferece uma série de ferramentas conhecidas por músicos e produtores, incluindo separação de stems, isolamento de instrumentos e vocais, identificação de acordes e recursos de masterização.
A plataforma também mantém parcerias com empresas e nomes da indústria musical, entre eles Fender e Ableton, além do espólio de Whitney Houston, Blackstar Amps e Cory Henry.
Armin defende artista no controle
Para Armin van Buuren, utilizar novas tecnologias sempre fez parte da evolução da música eletrônica. A diferença, segundo ele, está em quem mantém o controle do processo criativo.
“A tecnologia sempre fez parte da maneira como a música eletrônica evolui. O que importa é se o artista continua no controle”, afirmou.
Armin acredita que a inteligência artificial pode acelerar determinados processos sem necessariamente substituir as decisões artísticas de quem está produzindo.
O holandês diz que pretende colaborar no desenvolvimento de ferramentas capazes de tornar produtores mais rápidos e expressivos, mas sem retirar deles a criatividade.
Laidback Luke: ferramenta não deve fazer o trabalho pelo produtor
Laidback Luke segue uma linha semelhante.
Para ele, cada geração de produtores recebeu novas tecnologias que mudaram a maneira de criar música. A inteligência artificial seria mais uma etapa dessa evolução, desde que utilizada como ferramenta e não como substituta do produtor.
“Todas as gerações de produtores recebem novas ferramentas, mas as melhores ferramentas não fazem o trabalho por você. Elas ajudam você a ouvir mais, aprender mais rápido e tomar decisões criativas melhores”, afirmou.
Segundo Luke, esse é justamente o tipo de inteligência artificial com o qual ele gostaria que a próxima geração de produtores aprendesse a trabalhar.
Música eletrônica como laboratório tecnológico
A escolha de Armin van Buuren e Laidback Luke para iniciar o programa também não foi por acaso.
Geraldo Ramos, fundador e CEO da Moises, considera a música eletrônica um território natural para experimentar novas tecnologias, já que DJs e produtores historicamente incorporam rapidamente novas ferramentas aos seus processos de criação.
Do sampler aos sintetizadores virtuais, passando por softwares de produção, plugins, controladores, sincronização digital e separação de stems, boa parte da história da música eletrônica está diretamente ligada ao desenvolvimento tecnológico.
Para Ramos, a próxima geração de ferramentas criativas precisa ser construída junto aos músicos, e não simplesmente ao redor deles.
80 milhões de usuários
A dimensão alcançada pela Moises também ajuda a explicar por que essa parceria chama atenção.
Segundo dados divulgados pela própria empresa, a plataforma já possui aproximadamente 80 milhões de usuários distribuídos por 190 países.
Entre seus principais mercados estão Estados Unidos, Brasil, México, Índia, Indonésia, Japão, Turquia e França.
A empresa afirma ainda que cerca de 2,5 milhões de minutos de áudio são processados diariamente por suas ferramentas.
E esse número pode aumentar conforme recursos baseados em inteligência artificial passam a fazer parte da rotina de DJs, produtores e músicos.
IA como assistente, não como substituta
A chegada de Armin van Buuren e Laidback Luke à Moises toca em uma das principais discussões atuais da indústria musical: qual deve ser o papel da inteligência artificial dentro do estúdio?
A proposta defendida pelos artistas é relativamente clara. Em vez de uma IA que cria tudo sozinha, a ideia é desenvolver sistemas capazes de executar tarefas técnicas, acelerar processos e oferecer novas possibilidades enquanto as decisões artísticas continuam nas mãos do produtor.
É uma diferença importante.
Separar um vocal, identificar acordes, analisar uma música ou acelerar uma tarefa repetitiva é bastante diferente de apertar um botão e pedir para uma máquina criar uma faixa inteira imitando determinado artista.
Para uma geração de DJs que viu a produção musical passar do hardware para o computador e depois para ferramentas cada vez mais automatizadas, a inteligência artificial pode representar simplesmente o próximo capítulo dessa história.
A grande questão agora não parece mais ser se a IA estará dentro dos estúdios.
Ela já está.
A discussão passa a ser quem estará no controle quando ela estiver lá.



