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Fatboy Slim estreia no Rock in Rio e celebra conexão com o Brasil
Britânico fechou o primeiro fim de semana do New Dance Order e comparou sua relação com os brasileiros a encontrar uma família que não conhecia
por Fabrício Lopes - 14/09/2026

Fatboy Slim estreia no Rock in Rio e celebra conexão com o Brasil
por Fabrício Lopes - 14/09/2026
Depois de inúmeras passagens pelo Brasil ao longo da carreira, Fatboy Slim finalmente adicionou um item importante ao currículo: sua primeira apresentação no Rock in Rio.
O DJ e produtor britânico foi o responsável por encerrar a programação do New Dance Order no dia 7 de setembro, fechando também o primeiro bloco de shows do Rock in Rio 2026.
E a estreia aconteceu em uma noite de peso. Enquanto João Bosco e Gilberto Gil representavam diferentes gerações da música brasileira e Elton John fazia uma apresentação especial no Palco Mundo, Fatboy Slim assumia a missão de representar a história da música eletrônica.
“Como encontrar uma família que você não sabia que existia”
Antes mesmo de subir ao palco, Fatboy Slim já havia deixado claro que sua relação com o Brasil vai muito além de mais uma parada em uma turnê internacional.
Em entrevista à Billboard Brasil, o britânico brincou ao tentar explicar a conexão:
“Acho que minha mãe dormiu com um brasileiro e nunca contou para ninguém.”
Logo depois, resumiu de maneira ainda melhor o sentimento que tem quando desembarca por aqui:
“Quando cheguei ao Brasil, foi como encontrar o resto da sua família que você não sabia que existia.”
A relação é antiga. Fatboy Slim já tocou dezenas de vezes no país e encontrou no público brasileiro uma conexão particularmente forte com sua mistura de big beat, house, breaks, rock, funk e samples.
Pode até parecer estranho que um artista com uma relação tão longa com o Brasil nunca tivesse passado pelo festival.
Mas aconteceu somente em 2026.
No New Dance Order, o público também refletia a longevidade de sua carreira. Havia desde crianças até pessoas que acompanharam a explosão da música eletrônica nos anos 1990 e 2000.
E o repertório ajudou a unir essas gerações.
Fatboy Slim passou por clássicos como “The Rockafeller Skank”, “Right Here, Right Now” e “Praise You”, misturando seu próprio catálogo com músicas mais recentes e uma sequência constante de samples e referências.
É justamente essa maneira quase irreverente de construir seus sets que continua fazendo Norman Cook funcionar diante de públicos gigantescos quase três décadas depois de sua explosão mundial.
Fatboy Slim também comentou a responsabilidade de dividir a programação de 7 de setembro com dois nomes históricos: Elton John e Gilberto Gil.
O DJ disse conhecer e admirar os dois artistas e classificou como uma honra fazer parte do mesmo lineup.
Mais do que isso, enxergou sua presença como uma espécie de representação da própria cultura eletrônica britânica.
“Sinto que estou representando a música eletrônica da Inglaterra. É uma posição de grande honra, mas com ela vem uma grande responsabilidade.”
E existe bastante história por trás dessa responsabilidade.
Para entender a importância de Fatboy Slim na cultura DJ, é inevitável voltar a 13 de julho de 2002.
Naquele dia, Norman Cook realizou o lendário Big Beach Boutique II, gratuitamente, na praia de Brighton.
A organização esperava cerca de 60 mil pessoas.
Apareceram aproximadamente 250 mil.
O evento entrou para a história da música eletrônica britânica e ajudou a consolidar algo que hoje parece absolutamente normal: um DJ como atração principal diante de centenas de milhares de pessoas.
Duas décadas depois, essa mesma figura desembarcou pela primeira vez no Rock in Rio.
Talvez Fatboy Slim não seja mais uma novidade da música eletrônica — e justamente aí está o mais interessante.
Poucos DJs que explodiram comercialmente nos anos 1990 continuam capazes de ocupar grandes palcos em 2026 carregando uma identidade musical imediatamente reconhecível.
Norman Cook continua sendo um deles.
E fechar o primeiro fim de semana do Rock in Rio teve um simbolismo especial.
Depois de uma noite que passou pela MPB, pelo pop e por diferentes gerações da música, coube a um veterano das pistas dar o último play.
Demorou mais de 25 anos para Fatboy Slim chegar ao Rock in Rio. Quando finalmente chegou, encontrou no público brasileiro aquela “família” que, segundo ele, nem sabia que tinha.
Fonte: Billboard Brasil



