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Carl Cox e Louie Vega colocam a disco music novamente no centro da pista em Ibiza
Dois gigantes da música eletrônica deixaram temporariamente o techno e a house de lado para celebrar as raízes que ajudaram a criar a cultura dos DJs
por Fabrício Lopes - 21/09/2026

Carl Cox e Louie Vega colocam a disco music novamente no centro da pista em Ibiza
por Fabrício Lopes - 21/09/2026
Carl Cox e Louie Vega protagonizaram um encontro especial em Ibiza ao apresentarem um set conjunto dedicado principalmente à disco music.
A apresentação aconteceu em 13 de setembro, no [UNVRS], como parte da atual temporada de Carl Cox no clube. Em vez de seguir exclusivamente pelo techno e pela house, estilos que marcaram boa parte de suas carreiras, os dois DJs decidiram retornar à música que ajudou a construir as bases da cultura eletrônica.
Antes da apresentação, Carl Cox já havia avisado que aquela seria uma noite diferente. O britânico publicou um vídeo selecionando alguns discos de sua coleção e afirmou que pretendia resgatar suas músicas favoritas da era disco para o encontro com Louie Vega.
Entre as faixas apresentadas estavam “Don’t Cost You Nothin’”, de Ashford & Simpson, e “Forget Me Nots”, de Patrice Rushen. Lançada em 1982, “Forget Me Nots” se tornou um clássico do funk e da música dançante, além de ganhar uma nova geração de ouvintes ao ser utilizada em “Men in Black”, de Will Smith, nos anos 1990.
Mais do que uma mudança de repertório, o encontro representou uma volta às origens. Antes de house, techno e suas inúmeras vertentes ocuparem as pistas, a disco music já havia estabelecido elementos fundamentais da cultura dos clubes: músicas em versões estendidas, mixagens contínuas, baterias marcantes, linhas de baixo dançantes, arranjos orquestrais e vocais construídos para provocar uma reação coletiva.
Dois caminhos que se encontram na pista
Carl Cox se tornou mundialmente conhecido pela ligação com o techno, pelo domínio de vários toca-discos e por sua participação na explosão da cultura rave britânica. Entretanto, sua formação como DJ começou antes da consolidação desses movimentos, quando disco, soul e funk ainda ocupavam o centro das pistas.
Ao revisitar esse repertório, Cox mostrou uma parte importante de sua identidade musical que, muitas vezes, fica escondida atrás da imagem do DJ de techno das grandes arenas.
Louie Vega, por outro lado, nunca se afastou completamente dessa tradição. Como integrante do Masters at Work, ao lado de Kenny “Dope” Gonzalez, o produtor nova-iorquino ajudou a definir a house dos anos 1990 ao misturar disco, soul, jazz, salsa, música latina, instrumentos tocados ao vivo e batidas eletrônicas.
Projetos como Masters at Work e Nuyorican Soul demonstraram que a house não precisava romper com o passado. Ela poderia funcionar como uma continuação da disco, reconstruída com samplers, drum machines, remixes e novas técnicas de produção.
Por isso, o encontro entre Carl Cox e Louie Vega teve um significado que ultrapassa a reunião de dois nomes famosos. Cada um chegou à música eletrônica por caminhos diferentes, mas ambos compartilham a mesma base cultural: a pista como espaço de descoberta, celebração e conexão entre pessoas.
A disco nunca desapareceu
O set também chega em um momento no qual a influência da disco voltou a aparecer com força na música eletrônica e no pop.
Produções atuais utilizam novamente linhas de baixo orgânicas, guitarras rítmicas, vocais de soul, instrumentos reais e samples retirados de gravações dos anos 1970 e 1980. O que muitas vezes é apresentado como uma nova tendência é, na verdade, mais um capítulo de uma história que nunca foi interrompida.
A house nasceu diretamente dessa transformação. DJs de Chicago e Nova York estendiam, editavam e misturavam músicas disco até que drum machines, sintetizadores e sequenciadores começaram a ocupar mais espaço nas produções.
Quando Carl Cox e Louie Vega colocam discos de Ashford & Simpson e Patrice Rushen diante do público de um dos maiores clubes de Ibiza, eles não estão simplesmente promovendo uma noite nostálgica. Estão lembrando que boa parte da música eletrônica atual continua apoiada sobre ideias criadas décadas atrás.
Um encontro entre gerações
Para o público que viveu as pistas dos anos 1980 e 1990, o repertório representa reconhecimento e memória afetiva. Para quem chegou depois, funciona como uma aula prática sobre as origens da house e da cultura DJ.
Essa capacidade de conversar com várias gerações ajuda a explicar a longevidade dos dois artistas. Carl Cox e Louie Vega não permaneceram relevantes apenas porque acompanharam as mudanças tecnológicas. Eles continuam importantes porque conhecem profundamente a música que existia antes dessas mudanças.
A apresentação integrou a residência de Carl Cox no [UNVRS], que segue até 4 de outubro. A temporada já recebeu convidados como David Guetta, Joseph Capriati, Nicole Moudaber, The Martinez Brothers, Dennis Cruz e WhoMadeWho.
Em 2026, Cox também recebeu a condecoração OBE por seus serviços prestados à música, reconhecimento que reforça a dimensão cultural de uma carreira iniciada muito antes de DJs se tornarem atrações principais de grandes festivais.
O encontro com Louie Vega mostrou justamente essa trajetória. Dois veteranos que poderiam depender apenas de seus sucessos decidiram abrir suas coleções, mudar o rumo da noite e devolver à disco music o espaço que sempre foi dela: o centro da pista.



