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Homem é condenado por lucrar US$ 8 milhões com músicas de IA e streams falsos
Caso estabelece precedente nos Estados Unidos e mostra como robôs podem retirar royalties de artistas verdadeiros
por Fabrício Lopes - 16/10/2026

Homem é condenado por lucrar US$ 8 milhões com músicas de IA e streams falsos
por Fabrício Lopes - 16/10/2026
As músicas tinham milhões de reproduções. Só faltava um detalhe: ouvintes de verdade.
O norte-americano Michael Smith foi condenado a 18 meses de prisão por um esquema que combinava músicas criadas com inteligência artificial, contas falsas e reprodução automatizada em plataformas de streaming.
Entre 2017 e 2024, segundo a Justiça dos Estados Unidos, o sistema gerou bilhões de plays artificiais e aproximadamente US$ 8 milhões em royalties. Smith também terá de devolver US$ 8,09 milhões.
Como funcionava o esquema
O catálogo era enorme e os nomes das faixas pareciam escolhidos para não chamar atenção. Mais de mil contas-robô reproduziam essas músicas de forma contínua, usando serviços em nuvem, redes privadas e diferentes perfis para simular comportamento humano.
A estratégia não buscava colocar uma faixa no topo do Spotify. Espalhava a fraude por milhares de títulos, horários e contas. Era menos parecido com fabricar um grande hit e mais com abrir uma torneira de centavos que nunca fechava.
A inteligência artificial ajudava a produzir música em escala, mas esse não foi o crime. O centro do processo foi a manipulação das reproduções e a fraude para receber royalties que não correspondiam a uma audiência real.
Por que o caso importa
O dinheiro do streaming não nasce do nada. Em modelos de distribuição compartilhada, cada reprodução falsa pode reduzir, ainda que minimamente, a fatia destinada a artistas ou detentores de direitos que tiveram audições legítimas.
Fraudes em música não são novidade. A indústria já enfrentou jabá, compra de discos para inflar paradas e fábricas de cliques. O que muda agora é a escala: com IA para criar catálogo e robôs para tocar esse catálogo, uma pessoa pode operar uma gravadora fantasma quase sem intervenção humana.
A condenação estabelece um precedente importante nos Estados Unidos porque deixa claro que automatizar audiência para obter royalties pode terminar em prisão, confisco e responsabilização por fraude eletrônica.
O problema não é a máquina compor
O caso também ajuda a separar duas discussões que costumam aparecer misturadas. Música feita com IA pode levantar questões de autoria, treinamento e direitos. Mas usar robôs para fingir que pessoas ouviram uma música é fraude, independentemente de quem — ou do que — a produziu.
Para artistas, gravadoras e plataformas, a sentença é um aviso: combater stream falso não é apenas proteger números de parada. É proteger o dinheiro e a confiança de todo o ecossistema.
No fim, o esquema criou milhões de execuções e nenhum momento musical. Muito play, pouco público — e uma conta de US$ 8 milhões para pagar.



